Louvores, ilusões, lamentações

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Louvores, ilusões, lamentações

Louve-se a terceirização da gestão do Hospital Ruth Cardoso, estendida ao PA da Barra (permanecerá) e à UPA do Bairro das Nações. A medida é a única saída, nas circunstâncias vividas, pois nada se pode esperar do Estado e nem dos municípios vizinhos, como se desejou durante muito tempo.

Lamente-se a medular incapacidade de pacificar as relações entre Guarda Municipal (leia-se secretário de segurança) e a Polícia Militar. Um conflito desnecessário, inoportuno e lamentável. Há indicadores comparativos (e números indesmentíveis) demonstrando ser a criminalidade endêmica um fator de assustadora realidade social, para cujo combate prender muito não resolve. A própria GM usa comparativos entre 2016 e 2017 como instrumento de demonstração de eficiência. Os números são dela mesma e isto nos conduz a um raciocínio: se antes a GM atendia menos ocorrências poderíamos dizer que ela concorre contra si própria? O que provocou a desídia de antes e o que provoca a eficiência de hoje, se a GM é a mesmíssima?

Finalmente, se compulsarmos dados de criminalidade dos últimos anos e compararmos, veremos que não houve redução nenhuma na cidade. Até pelo contrário em muitos casos.

Por último – e aqui cabe o julgamento de cada um e cada uma – o município contrata empresa privada para avaliar as gorduras internas da administração, cujas despesas chegam a limites insuportáveis e, em seguida, sugerir caminhos para economia nos procedimentos. Imagina-se o quanto estamos atrasados em termos de gestão pública – quando bastaria convocar estudantes formados aqui mesmo, na nossa UDESC, para gerar os meios de racionalizar a administração a um custo muito menor e mais: com a possibilidade de acompanhar de maneira até permanente a evolução e o cumprimento das metas. Coisa que a empresa privada contratada não fará: ela apenas dirá o que e como fazer e irá embora, ficando a missão de executar e controlar entregue aos que hoje integram o quadro.

Uma boa medida de economia, em todo caso, seria reduzir o quadro de comissionados ou executar uma política prometida em campanha: colocar nos cargos de confiança servidores efetivos. E terminar com essa ladainha de chefe, chefe do chefe, chefe do chefe do chefe e assim por diante. Há detalhes a serem considerados, como a existência de cargos sem o menor sentido, como os de coordenadores de limpeza urbana da Emasa, ainda nos cargos, embora a empresa já não seja a encarregada da limpeza da cidade.

Não podemos criar ilusões.

 

aderbalmachado.com.br