Durou pouco a passagem de Dado Dolabella pelo MDB no Rio de Janeiro. Anunciado na semana passada como pré-candidato a deputado federal, o ator deixou a legenda poucos dias depois, em meio a uma crise interna que expôs o desgaste da filiação dentro do próprio partido.
A saída foi confirmada nesta segunda-feira (9). Em nota, o MDB informou que a filiação foi cancelada por decisão do presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, em acordo com o presidente estadual do partido no Rio, Washington Reis.
Ao mesmo tempo, Dado Dolabella publicou um vídeo nas redes sociais para anunciar que formalizava sua desfiliação. No discurso, atribuiu a decisão a divergências políticas com posições defendidas dentro do partido, especialmente por integrantes da ala feminista.
“Essa decisão foi tomada depois de refletir sobre posições que vêm sendo defendidas dentro do partido, especialmente no âmbito da bancada feminista, que hoje não se alinham com os princípios que orientam a minha atuação pública”, afirmou Dado Dolabella.
O ator disse ainda que defende “equilíbrio nas relações sociais e familiares, com justiça, responsabilidade e respeito ao processo legal”. Em outro trecho, afirmou: “A construção de uma sociedade mais justa passa também pela busca de equilíbrio dentro das famílias, evitando polarizações que apenas aprofundam conflitos”, declarou Dado Dolabella.
Na publicação, ele também agradeceu a Washington Reis pelo convite para ingressar na legenda. Em outro trecho, justificou a saída dizendo que a política precisa voltar a olhar para “a família, o equilíbrio e a justiça” e que a decisão de sair foi a mais honesta diante do que classificou como divergência de valores.
A filiação de Dado Dolabella havia sido anunciada com entusiasmo pelo diretório fluminense do MDB. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Washington Reis apresentou o ator como pré-candidato a deputado federal e fez elogios públicos ao novo filiado.
“Olha aqui quem nós estamos filiando aqui como pré-candidato a deputado federal: nosso querido Dado Dolabella. Tenho certeza que ele vai arrebentar a boca do balão”, disse Washington Reis.
No mesmo ato, Dolabella afirmou que pretendia defender pautas ligadas à família. “Posso garantir que não vai faltar luta, vontade e garra para trazer de volta o equilíbrio para a família, para as crianças, para as mulheres e para os homens. A gente precisa de mudança”, declarou Dado Dolabella.
A reação, porém, foi imediata. Nas redes sociais, a filiação gerou críticas e resgatou episódios polêmicos da trajetória do ator. Dentro do partido, a principal resistência partiu do MDB Mulher, que divulgou nota de repúdio e classificou a entrada do artista na sigla como um erro político.
A presidente do movimento no estado, Kátia Lôbo, que também integra a executiva estadual do partido, disse ter recebido a notícia com indignação. “Recebi com estarrecimento a notícia da filiação do ator Dado Dolabella — um homem agressor de mulheres, como todo o Brasil o conhece. O momento é extremamente delicado e grave”, afirmou Kátia Lôbo.
Em outro trecho da manifestação, a dirigente relacionou a filiação à luta contra a violência de gênero e criticou o simbolismo da decisão em março, mês marcado por mobilizações em torno dos direitos das mulheres. “Em pleno mês de março, conhecido por ser o mês da mulher, receber esse tipo de notícia revolta e contraria tudo o que o MDB Mulher quer transmitir às mulheres. Nenhuma mulher merece ser representada por quem trata a violência como espetáculo”, diz a nota do MDB Mulher.
A resistência à filiação foi impulsionada, sobretudo, pelo histórico de denúncias envolvendo violência doméstica. O caso mais recente citado por críticos ocorreu em 2025, quando a ex-namorada do ator, a modelo Marcela Tomaszewski, relatou agressões físicas e verbais.
Dado Dolabella nega as acusações. Segundo ele, não há condenações criminais transitadas em julgado e parte das denúncias seria formada por “fake news”. O ator também declarou que pretendia defender homens que, segundo sua visão, seriam acusados de forma injusta por parceiras.
Na nota oficial divulgada após o recuo, o MDB afirmou que a decisão de cancelar a filiação respondeu à pressão interna e às manifestações contrárias de integrantes da legenda. “Essa é uma vitória de emedebistas, especialmente mulheres, que haviam se manifestado contrariamente à filiação do referido ator”, informou o partido.
O comunicado ainda reforçou o papel histórico da sigla na participação feminina. “O MDB é o partido que, desde 1973, mantém uma seção feminina — atualmente integrada à executiva nacional da legenda — e foi a sigla que mais elegeu mulheres na última eleição”, diz a nota do MDB.
Pressão do MDB Mulher leva ao cancelamento da filiação de Dado Dolabella no Rio
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